Faltam apenas 101 metros para a conclusão da Ponte Internacional da Rota Bioceânica, que vai ligar o município sul-mato-grossense de Porto Murtinho a Carmelo Peralta, no Paraguai. A previsão é que a aduela de fechamento – nome técnico que une as estruturas, mas popularmente chamado de “beijo” das aduelas – será concluída no final de maio, segundo informações dos responsáveis pela construção.
O Governo de Mato Grosso do Sul divulgou, nesta sexta-feira (20), que a estrutura com 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura está nas etapas finais de conclusão.
Em seguida, a ponte receberá serviços complementares, como a instalação de cabos de aço embutidos na laje de concreto armado do piso da ponte para unir o lado Brasil com o lado Paraguai, retencionamento dos 168 estais que sustentam o vão central e colocação de 168 amortecedores para estes cabos.
Estrutura
Além disso, os dois pilares principais e os cabos receberão sensores eletrônicos que monitoram cargas, enviando pulsos para computadores que acompanham os esforços da ponte em tempo real, inclusive, quando veículos passam ou ocorrem eventuais problemas estruturais.
Também estão no cronograma os serviços de iluminação fluvial, que garantem o tráfego seguro de embarcações no Rio Paraguai, além do acabamento do piso da ponte e instalação de grades de proteção para pedestres e ciclistas, já que a estrutura contará com uma ciclovia. Posteriormente, serão realizados asfaltamento, pintura, colocação de placas sinalizadoras e iluminação ornamental. A entrega completa da ponte está prevista para agosto de 2026.
Além da ponte e de seus acessos, está prevista a construção de infraestruturas alfandegárias integradas em ambos os lados da fronteira. Segundo a Receita Federal, o fluxo inicial estimado é de 250 caminhões por dia, podendo aumentar à medida que a Rota se consolide como alternativa logística de exportação e importação para o Mercosul e a Ásia.

A Rota Bioceânica
Mato Grosso do Sul está no centro de uma obra ambiciosa para a logística e a integração comercial internacional: a Rota Bioceânica, também chamada de Bioceânica de Capricórnio. O corredor vai ligar o Brasil ao litoral do Pacífico, atravessando Paraguai, Argentina e Chile.
A ponte do lado brasileiro encerra o ano com 80% de conclusão e previsão de entrega para o primeiro semestre de 2026. Afinal, por que essa ponte representa uma mudança tão significativa para a economia do país, especialmente para Mato Grosso do Sul?
O corredor efetivamente reduzirá tempo e custo do transporte até os portos do Pacífico, além de beneficiar o agronegócio e o setor exportador.
A rota também reduzirá até 17 dias no transporte Brasil-Ásia, consequentemente gerando economia no escoamento de produtos. Vale destacar que a China é um dos principais parceiros comerciais e grande importador de carne produzida em Mato Grosso do Sul.
Para o Estado, a rota representa uma verdadeira transformação estrutural: corredores rodoviários aprimorados, acesso facilitado à logística internacional e um novo canal para exportações. Dessa forma, MS ganha competitividade para seus produtos, sobretudo carnes e commodities agropecuárias.

