Neste Dia dos Pais, muitas famílias felizes comemoram a data, mas o vídeo de Maria Eduarda Cavalheiro Germano, de 20 anos, traz um duro alerta sobre a violência que pode se esconder atrás da porta do próprio lar. Na história de Madu, apelido da atendente de crediário, o perigo tinha nome de “pai”. Por isso, ela publicou a postagem hoje.
“Indo direto ao ponto, eu fui abusada pelo meu pai. Faz bastante tempo que eu quero trazer esse tema à tona. Eu acho muito importante para a conscientização, porque continua sendo um grande tabu na sociedade. Ainda mais quando o abusador é parente ou amigo próximo à vítima”, diz Madu.
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Os abusos aconteceram dos 5 aos 12 anos. “Ao contrário do que muita gente pensa, os abusadores não são pessoas ruins, socialmente falando. Eles se mascaram como pessoas gentis e amigáveis. Ganham confiança e afeto até conseguirem o que querem. Socialmente falando, meu pai era presente, incentivador, ia em todas as apresentações da escola”.
A menina sofria violência física e psicológica, sendo chantageada pelo pai. Ele dizia que os crimes deveriam ficar em silêncio para não ser preso.
“Muita gente deve pensar: ah, como ele fez isso por tanto tempo e ninguém descobriu? Ele é um ótimo manipulador. Me ameaçando com frases do tipo: você não me ama? ou vão me matar se souberem de alguma coisa. Isso era um pesadelo para mim. Como alguém que tinha o papel de me proteger faria algo ruim para mim? Eu só era uma criança”, relata Madu sobre o sofrimento que enfrentou.
Os abusos incluíam assistir a conteúdo pornográfico e situações em que pudessem ficar a sós. “Ele sempre aproveitava as brechas que a gente estava sozinho”.
Após oito anos de abusos, ela contou para uma amiga da escola que a orientou sobre a urgência de denunciar o crime. “Eu liguei para a minha mãe e contei. Eu me lembro até hoje da voz dela trêmula ao celular. Ela saiu do trabalho e veio me buscar antes que ele chegasse em casa. A minha mãe sempre ficou do meu lado. Ela fez e faz o impossível por mim. Depois de cinco anos da denúncia, ele foi preso. Durante esse intervalo, ele mudou de cidade e nunca respondeu às intimações”, conta a jovem.
Madu reforça que seu vídeo é um alerta. “Se você passa por isso, você não está sozinho ou sozinha. Fale, grite, denuncie. Mas não deixe esses abusadores saírem impunes. Por mais doloroso que seja dar o seu relato, é importante que eles paguem pelo que fizeram”.
Carlos Augusto Germano do Amaral foi preso em 24 de julho de 2023, em Cuiabá (MT). Ele foi condenado por estupro de vulnerável a 23 anos e 4 meses de prisão em maio de 2024.
Outro lado - No curso do processo, a defesa de Carlos Augusto sustentou que o cliente é inocente e que faltavam provas dos abusos. Nas alegações finais, pediu a absolvição sob o argumento de que o conjunto probatório não seria suficiente para sustentar uma condenação.
No interrogatório, Carlos negou que tivesse cometido os estupros. Disse que algumas situações envolvendo banho e nudez teriam ocorrido de forma natural dentro da convivência entre pai e filha, sem conotação sexual, e negou especificamente algumas das condutas relatadas pela vítima.
A reportagem fez contato com a defesa para saber se há interesse em manifestação após a publicação do vídeo de Madu nas redes sociais por volta das 10h30 deste domingo e aguarda retorno.
Casos de violência contra crianças e adolescentes podem ser denunciados pelo Disque 100, por meio de ligação gratuita e anônima. Em situações de flagrante ou emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar, pelo telefone 190, ou a Polícia Rodoviária Federal, pelo 191, quando a ocorrência for em rodovias federais. Também é possível denunciar crimes pela SaferNet, por meio do site denuncie.org.br.

