Dinheiro dos aposentados bancou mansão e fazendas ligadas a vice-líder de Lula, aponta PF

 /

As investigações da Polícia Federal sobre o senador Weverton Rocha (PDT-MA), investigado no esquema de desvio de aposentadorias do INSS, descrevem uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro que envolve empresas, postos de combustíveis, imóveis, propriedades rurais, contas de familiares e até aeronaves privadas usadas para ocultar patrimônio e movimentar recursos.

Na última terça (4), familiares e supostos sócios de Weverton, que é vice-líder do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foram alvo de buscas e apreensões determinadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação teve origem na análise de celular atribuído ao senador, cujos dados foram confrontados com elementos obtidos na Operação Sem Desconto.

Segundo a representação da PF, o núcleo da estrutura era coordenado pelo advogado Willer Tomaz, apontado como responsável por disponibilizar uma espécie de “hub financeiro, patrimonial e logístico” aos beneficiários do esquema.

Para os investigadores, a estrutura reunia empresas, operadores financeiros, aeronaves, imóveis e pessoas físicas capazes de movimentar recursos e dificultar a identificação do beneficiário final.

Segundo a PF, a apuração revelou um fluxo financeiro complexo, marcado pela circulação de recursos entre pessoas físicas e jurídicas, uso recorrente de dinheiro em espécie, aquisição de bens em nome de terceiros e investimentos em imóveis, veículos, fazendas, aeronaves, empresas de radiodifusão e outros ativos de elevado valor.

Entre os imóveis, chama a atenção uma mansão, localizada em área nobre de Brasília, que teria sido negociada pelo advogado Willer Tomaz, com participação do senador Weverton Rocha.

A polícia afirma que os recursos eram fragmentados e circulavam por empresas, contas familiares, operadores financeiros, contratos de mútuo (contratos de empréstimo) e depósitos em espécie para ocultar sua origem e titularidade.

Conforme fontes a par da investigação ouvidas pela Gazeta do Povo, a PF estruturou a apuração como um grande mapeamento patrimonial, financeiro e logístico. O objetivo era cruzar informações dessas diferentes frentes para reconstruir o caminho do dinheiro e identificar todos os integrantes da estrutura, inclusive pessoas que, segundo essas fontes, ainda não foram alvo das medidas judiciais cumpridas nesta fase da investigação.

Em nota divulgada após a deflagração da operação, o senador Weverton afirmou que a investigação é resultado de “interesses políticos” e negou qualquer irregularidade.

Segundo o parlamentar, a operação teve como alvo familiares e pessoas próximas, e não ele diretamente. Weverton afirmou que confia na Justiça e sustentou que as medidas não têm relação com a prática de crimes, mas com uma tentativa de desgastá-lo politicamente.

O senador também declarou que todos os bens e atividades de sua família têm origem lícita e que sua defesa terá acesso aos autos para demonstrar a legalidade das operações investigadas. Segundo a nota, ele permanece “tranquilo” e afirmou que os fatos serão esclarecidos no curso da investigação.

Por meio de nota, o advogado Willer Tomaz afirmou que “jamais teve qualquer envolvimento com os fatos apurados no âmbito da Operação Sem Desconto e que não figura como investigado no referido procedimento da Polícia Federal”.

Ele também ressaltou que “a disponibilização da aeronave ao senador Weverton Rocha ocorreu em caráter estritamente pessoal e amistoso, sem qualquer vínculo com os fatos investigados pela operação”.

Quanto à mansão mencionada na investigação, Willer Tomaz afirmou que, em sua atuação empresarial, é proprietário de uma imobiliária sediada em Brasília, que possui, administra e negocia diversos imóveis na capital federal. “As atividades da empresa são realizadas regularmente, não havendo qualquer irregularidade nas operações citadas”, conclui a nota.

PF aponta advogado como articulador da estrutura

Na avaliação da Polícia Federal, Willer Tomaz exercia função central na engrenagem financeira. Segundo a decisão, ele disponibilizava empresas, imóveis, aeronaves, pilotos, operadores financeiros e interlocutores políticos para dar suporte às operações atribuídas ao grupo investigado.

A representação afirma que sua estrutura funcionava como um “hub financeiro, patrimonial e logístico”, expressão reproduzida pelo ministro André Mendonça ao analisar o pedido da PF.

Conforme fontes ouvidas pela reportagem, a investigação também apura a utilização de empresas contratadas por prefeituras e outras pessoas jurídicas que, segundo a hipótese investigativa, teriam servido para movimentar recursos dentro da estrutura atribuída ao grupo.

Ao autorizar as buscas, o ministro André Mendonça afirmou que a investigação apresenta indícios que vão além de conjecturas e citou a correlação entre comunicações, movimentações financeiras, transporte aéreo de numerário e documentação societária.

O ministro ressaltou, contudo, que a análise realizada nesta fase do processo é preliminar e não representa conclusão sobre eventual responsabilidade criminal dos investigados, servindo apenas para justificar o avanço das diligências.