A iminente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre novas tarifas ao Brasil nesta quarta-feira (15) marca o ápice de um período de forte desgaste diplomático com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cujas divergências acumulam dezenas de embates públicos.
O último atrito ocorreu nesta segunda-feira (13), quando Lula classificou como “pirataria” a cobrança de 20% anunciada por Trump para garantir a segurança de embarcações que cruzam o Estreito de Ormuz, argumentando que os EUA criaram o conflito e lucram com a situação.
— É muito delicado a gente perceber que os EUA provocam uma guerra e, agora, começam a cobrar pelo navio que vai atravessar pela segurança dele. Não é comum, normal, democrático. É anormal ganhar dinheiro em cima da desgraça — afirmou.
A escalada da crise em 2026 ganhou força em maio, após os EUA classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas globais. Em junho, o órgão de comércio americano (USTR) sugeriu taxas extras aos produtos brasileiros, proposta que aguarda aval de Trump.
Trump, por sua vez, mencionou o presidente brasileiro apenas 11 vezes desde o início de seu segundo mandato, em 2025. O primeiro embate direto ocorreu em julho de 2025, quando aplicou tarifa de 50% a itens do Brasil sob a justificativa de defender o ex-presidente Bolsonaro.
O relacionamento passou por uma breve trégua após um encontro na Assembleia Geral da ONU, no final de 2025. Na época, os líderes conversaram por telefone e se reuniram na Malásia, o que levou Trump a elogiar o brasileiro e chamá-lo de “dinâmico”, embora sem reduzir taxas.
A aproximação ruiu em junho de 2026. Durante a reunião do G7, Trump classificou o Brasil como “politicamente perigoso”. Dias depois, definiu Lula como uma pessoa “muito volátil” e afirmou ao portal Axios que não pensava no presidente brasileiro e não se importava com ele.
Em resposta, Lula advertiu Trump publicamente para que respeitasse a soberania nacional e não interferisse no processo eleitoral do Brasil, agravando o impasse bilateral diante do anúncio econômico esperado para esta semana.

