Com mais de 5,2 mil casos prováveis e 14 mortes por chikungunya, Dourados prorrogou o decreto de situação de emergência em saúde pública por mais três meses. A decisão foi publicada no Diário Oficial do município desta quarta-feira (17)
Segundo a Prefeitura de Dourados, o decreto levou em consideração que, embora a notificação de casos de chikungunya diminuiu, a taxa de positividade se mantém em torno de 55%, o que indica a manutenção da circulação viral. O COE (Centro de Operações de Emergência em Saúde) recomendou essa prorrogação.
Além disso, a prorrogação também considera que há casos em fase subaguda e crônica da doença. Segundo o Ministério da Saúde, mais da metade dos pacientes com chikungunya tem sequelas por anos e demanda atendimento a longo prazo. Para especialistas, o sistema de saúde precisa mudar o foco da resposta epidemiológica para a assistência a esses pacientes.
“A prorrogação é necessária considerando a necessidade de manutenção da mobilização atual das ações que estão sendo executadas, bem como dos atendimentos realizados pelos profissionais contratados emergencialmente”, enfatiza o Decreto 779, publicado nesta quarta-feira (17).
20 internações
Até segunda-feira (15), o município tinha 18 pacientes internados em razão de complicações da doença. Nesta quarta-feira (17), o número subiu para 20 leitos ocupados, sendo 15 no Hospital Universitário HU-UFGD, 2 no Hospital Cassems, 1 no Hospital Regional, 1 no Hospital Unimed e 1 no Hospital da Vida.
Dourados ainda investiga 4 mortes: uma mulher de 74 anos, um homem de 71 anos, ambos brancos e com comorbidades, como doença renal crônica e diabetes, além de um homem de 43 anos, que era morador da área urbana, e um indígena de 19 anos, que estava internado no Hospital Universitário, segundo a prefeitura.
Fim da calamidade, mas segue a emergência
No dia 27 de maio, o prefeito Marçal Filho revogou o decreto que declarava situação de calamidade em saúde pública em Dourados devido à epidemia de chikungunya. Mesmo com a alteração, a situação de emergência, instituída no dia 20 de março, permanece em vigência.
Conforme a prefeitura, foram considerados registros dos boletins epidemiológicos municipais para revogar a calamidade em saúde pública. Segundo a administração, há uma ‘redução sustentada da curva epidêmica da chikungunya’.
No entanto, dados apontam para a continuidade da situação de crise. À época, o Estado concentrava 71,4% de todos os óbitos registrados no país neste ano, além de acumular mais de 12,8 mil casos notificados. Dourados, sozinha, já somava 13 mortes.
MS lidera mortes por chikungunya
Entre 2016 e 2025, Mato Grosso do Sul registrou 24 mortes e 21.282 casos prováveis de chikungunya, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Neste ano, são 23 mortes e 13.106 casos até esta quarta-feira (17). Assim, o registrado em 2026 representa 95,8% dos óbitos e 61% do total de casos da última década.
Em todo o Brasil, o Ministério da Saúde registra 53.669 casos e 38 mortes em decorrência da arbovirose. Mato Grosso do Sul representa 24,4% dos casos e 60,5% das mortes do país — ou seja, em média, a cada quatro pessoas doentes com chikungunya, uma é de MS, e a cada dez mortes, seis são no Estado.

