A esposa do desembargador Divoncir Schereiner Maran, Viviane Alves Gomes de Paula, é citada em relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que investiga a atuação do magistrado ao soltar Gerson Palermo, em 2020. O traficante que é considerado um dos maiores chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), estava preso em Campo Grande e fugiu horas depois de ser solto. Ele está foragido há quase seis anos.
Segundo o relatório do CNJ, a polícia judiciária encontrou conversas de Viviane com o assessor de gabinete de Divoncir. O documento não detalha se a esposa do desembargador teve participação direta na decisão que resultou na soltura de Palermo. O g1 entrou em contato com a defesa de Divoncir e Viviane, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.
O documento aponta que ela agia indevidamente intermediando questões que deveriam ser tratadas entre o magistrado e o assessor. "A companheira do magistrado transmitia ao assessor diretrizes relacionadas aos processos judiciais, a pedido do magistrado", cita o relatório.
Em uma das conversas por aplicativo de mensagem analisadas, Viviane envia um documento ao assessor com um pedido:
- - "Boa tarde. O chefe pediu para dar uma olhada. Se pode ser no virtual", escreve Viviane
Minutos depois, o assessor responde afirmando que o processo em questão pode ser julgado no virtual e questiona:
- - "O que quer que eu faça?", questiona o assessor
Na sequência, Viviane responde pedindo para o assessor verificar se é possível "dar provimento ao recurso".
De acordo com o CNJ, os pedidos enviados por Viviane ao assessor eram "prática habitual e aparentemente normalizada" e o servidor prestava informações à esposa do magistrado, entre elas, detalhes sobre elaboração de minutas de decisões judiciais e de andamento de processos.
A compra de um terreno em um condomínio de luxo em Campo Grande com posterior construção de uma "obra milionária", chamou a atenção dos investigadores pela "discrepância de gastos acima de R$3 milhões".
Para a Justiça, os altos gastos foram feitos em um curto espaço de tempo, considerando o período entre a compra do terreno e a construção da residência de Divoncir e Viviane.
A análise feita no inquérito ressalta que o empreendimento, em área nobre da cidade, seria compatível com a capacidade econômica de um magistrado, contudo, foram identificadas tratativas de Viviane com os prestadores de serviço e a exigência de que os pagamentos a eles fossem feitos somente com dinheiro em espécie.

